Amiloidoses

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Edição de 02h46min de 5 de Outubro de 2011

texto de Diego Ortega dos Santos




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Amiloidoses

Dá-se ao conjunto de doenças que envolvem proteináceos amilóides o nome de amiloidoses. Elas estão sendo analisadas na área de Reumatologia apenas para seguir uma convenção estabelecida por Cecil; na realidade, o depósito de amilóides pode acontecer em virtualmente todos os órgão e sistemas, sendo por vezes estudado em Imunologia ou Nefrologia (visto que acomete mais os rins que outros órgãos).

Características dos amilóides

Amilóides não são, antes de tudo, entidades químicas exatas. Existem cerca de 20 variações bioquímicas presentes na doença, das quais discutiremos apenas as mais importantes. Um esboço geral pode ainda assim ser traçado: 95% do amilóide é formado por proteínas fibrilares, com os 5% restantes compostos por glicoproteínas e componente P. As variantes mais importantes das proteínas amilóides são:

  • Proteína amilóide de cadeia leve (AL): provenientes de imunoglobulinas, é mais característico da doença amilóide renal ou cardíaca, mas também está presente nos depósitos nervosos e como causadora da síndrome do túnel do carpo. Pode chegar a ser muito parecido com distúrbios clonais dos plasmócitos, tanto em padrões de depósito quanto em tratamento.
  • Proteína associada ao amilóide (AA): é a mais comum, não tendo, entretanto, um padrão bioquímico preciso. Sabe-se que está relacionada com processos inflamatórios infecciosos ou não, o que a associa com síndromes inflamatórias crônicas, febre familiar do mediterrâneo e outras. Os órgãos mais afetados são o rim, o fígado e o baço.
  • Proteína β-amilóide (Aβ): está envolvida na doença de Alzheimer e presente nas placas cerebrais características dessa doença. A presença aumentada dessa vertente em idosos está sendo estudada.

Patogenia

A doença trata-se de um dobramento anormal de proteínas que se depositam geralmente em órgãos distantes de onde foram produzidas, agregando-se em forma de oligômeros ou de fibrilas em função de sua alta instabilidade. Na maioria das pessoas, proteínas anormais são degradadas rapidamente por macrófagos antes de sua deposição. Tal mecanismo está defeituoso em pacientes acometidos pela doença. Infelizmente, explicações satisfatórias para esses fenômenos ainda não foram feitas

Como conseqüência há compressão dos tecidos afetados e, em função do tecido em questão, um rico quadro clínico. Em termos morfológicos podemos ser mais exatos: a deposição do amilóide torna os órgãos mais volumosos, firme e de aparência cérea (semelhante à cera). Tal constatação ainda é, contudo, muito generalista e imprecisa. No rim, por exemplo, a coloração pode permanecer a mesma ou até mesmo encolher caso o depósito seja mais intravascular. Tais variações podem estar presentes em todos os órgãos.

Classificação

  • Amiloidose primária: é a condição mais comum, estando intimamente relacionada ao tipo AL, trata-se da condição em que apenas o depósito do amilóide é responsável pelo quadro patológico, não havendo quaisquer outras enfermidades envolvidas. Nota-se, todavia, que o padrão plasmocitário fica alterado, remetendo a um mieloma múltiplo.
  • Amiloidose sistêmica reativa: é também chamada de amiloidose secundária por se tratar de um desenrolar de quadros inflamatórias (sendo, assim, relacionada ao tipo AA). Nesse padrão sistêmico da doença, as afecções inflamatórias mais comuns que ocorrem em paralelo são artrite reumatóide, doença de Crohn e espondilite anquilosante.
  • Amiloidose associada à hemodiálise: acredita-se que as proteínas amilóides não são filtradas na diálise, acumulando-se de forma que mais da metade dos pacientes em diálise há mais de 20 anos possuem algum depósito amilóide. As regiões mais afetadas são as articulações, sendo um formador de turno do carpo a se considerar.
  • Amiloidose heredofamilial: relacionada a doenças inflamatórias de cunho genético, como a febre familiar do mediterrâneo. É em muitos aspectos semelhante à sistêmica reativa, especialmente do amilóide idêntico, o AA. Acomete mais comumente populações específicas: armênios,árabes e judeus sefárdicos.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é extremamente caracterizado por exames histológicos de coloração. Independente da proteína amilóide em questão, o corante vermelho Congo é um marcador caracteístico de diagnóstico. Para maior exatidão, a microscopia imunoeltrônica pode ser utilizada.

O prognóstico não é bom, havendo sutis diferenças de sobrevida e tratamento de acordo com o tipo da doença. A maioria das técnicas terapêuticas e farmacológicas ainda está em fase de testes laboratoriais, sendo colocado em prática a máxima hipocrática “acima de tudo não causar dano”: sabendo-se da doença, é possível evitar tratamentos errôneos e desnecessários (como uma quimioterapia) e remediar os sintomas na espera de uma regressão (anti-inflamatórios podem ser extremamente úteis em casos de amiloidose sistêmica reativa, por exemplo).


fonte: Cecil Medicina, 23ed; Robbins & Cotran, Bases Patológicas das Doenças, 8ed

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