Descolamento Prematuro da Placenta

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Em caso de óbito fetal, pode-se optar por parto vaginal se a dilatação do colo for maior que 8 cm e a apresentação fetal estiver baixa. A amniotomia deve ser instituida sempre que possível, pois descomprime o hematoma retroplacentário e consequentemente reduz a passagem de tromboplastina para a circulação materna (diminui o rsico de CIVD!).
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''Fonte: Rotinas em Ginecologia - Fernando Freitas - 6ª edição''

Edição atual tal como 02h47min de 23 de Agosto de 2012

Texto de Luana Silva Bessa Guimarães


DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA

Tabela de conteúdo

Definição

O descolamento prematuro de placenta é a separação da placenta normalmente inseridano corpo uterino, em gestação com idade superior a 20 semanas e antes da expulsão fetal, ocasionando sangramento uterino e redução de aporte sanguíneo ao feto.

Classificação

Grau I (leve)

Assíntomático. Confirmado pelo exame histopatológico.

Grau II (intermediário)

DIagnóstico basea-se nos sinais clássicos da DPP. Hipertonia uterina e sofrimento fetal. O feto ainda está vivo nesse estágio.

Grau III (grave)

Caracteriza-se pelo óbito fetal e divide-se em:

  • IIIA - sem coagulopatia
  • IIIB - com coagulopatia

Epidemiologia

Ocorre em cera de 0,4 a 3,5% de todas as gestações.

Fatores de risco

A etiologia do DPP ainda é desconhecida, porém relaciona-se vários distúrbios à gênese do DPP.

O fator mais importante é a Hipertensão Arterial Sistêmica.

Podemos dividir os fatopres de risco para o DPP em:

Causas Mecânicas

  • Brevidade do cordão
  • Versão fetal externa
  • Retração uterina intensa
  • Miomatose uterina
  • Torção do útero gravídico
  • Hipertensão da veia cava inferior
  • Traumatismo abdominal

Outros Fatores

  • Síndromes Hipertensivas
  • Placenta Circunvalada
  • Tabagismo e uso de cocaína
  • Anemia e má nutrição
  • Consumo de álcool
  • Corioamnionite
  • Idade materna

Quadro Clínico

A presença de hipertensão, sangramento vaginal escuro na segunda metade da gravidez, hipertonia uterina e sofrimento fetal correspondem ao quadro clínico clássico do DPP.

Atenção: em 20% dos casos não há exteriorização do sangramento!

O sangramento vaginal pode não refletir a gravidade do descolamento, pois pode haver coagulos retidos no espaço retroplacentário.

As manifestações de sofrimento fetal agudo estão mais relacionados com a extensão do descolamento da placenta. Nos descolamentos grandes, há óbito fetal por hipóxia.

O hemoamnio é encontrado em 50% dos casos de DPP. O líquido amniotico apresenta coloração vermelho-acastanhada.

O toque vaginal indentifica bolsa d'água tensa. A dilatação cervical pode se completar rapidamente. A placenta já descolada é expelida após a expulsão fetal.

Diagnóstico

O diagnóstico de DPP é essencialmente clínico.

A Ultrassonografia é utilizada para afastar o diagnóstico de placenta prévia.

Os exames laboratorias tem objetivo de rastrear as complicações do DPP, como a anemia grave, choque hipovolêmico e discrasia sanguínea.

  • Teste de Weiner é um método simples que pode ser realizado à beira do leito e avalia com boa acurácia o estado de coagulação da paciente.

Tratamento

A conduta do DPP depende da vitalidade fetal. A intervenção rápida e adequada muda o prognóstico da mãe e do concepto. No caso de feto vivo, a cesária é mandatória e imediata.

A conduta visa salvar a vida do feto, portanto se houver óbito fetal, não há necessidade de interrupção imediata da gestação. Deve-se, porém, zelar pela vida da mãe, que corre grande risco pela CIVD.

Em caso de óbito fetal, pode-se optar por parto vaginal se a dilatação do colo for maior que 8 cm e a apresentação fetal estiver baixa. A amniotomia deve ser instituida sempre que possível, pois descomprime o hematoma retroplacentário e consequentemente reduz a passagem de tromboplastina para a circulação materna (diminui o rsico de CIVD!).

Complicações

  • Choque hipovolêmico e suas complicações mais frequentes, como insuficiência renal aguda e necrose hipofisári (síndrome de Sheehan).
  • Coagulação Intravascular Disseminada.

Prognóstico

Materno

Mortalidade materna chega a 3% dos casos. A postergação exagerada do parto, antecedentes toxêmicos, CID, choque e insuficiência renal aguda pioram o prognóstico.

Fetal

O prognóstico fetal é mais grave que o materno. A morte do concepto ocorre em 90% dos casos.




Fonte: Rotinas em Ginecologia - Fernando Freitas - 6ª edição

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